Você sabia que dá pra comer feijão sem precisar cozinhar?
Calma que eu te explico!
Fiz aqui uma brincadeira com as palavras pra chamar sua atenção, mas é claro que é necessário cozinhar o feijão pra comer.
Isso porque os feijões e outras leguminosas como grão de bico, lentilha, ervilha, soja, possuem substâncias que precisam ser inativadas pelo calor, como as lectinas e os inibidores de tripsina. Se a gente comer essas leguminosas cruas, vamos ter dificuldade em digerir as proteínas e possivelmente algum desconforto abdominal.
Mas o fato é que a gente sabe o quanto é trabalhoso preparar.
É essencial deixar os grãos de molho por cerca de 12 horas em temperatura ambiente, para reduzir os fitatos (substâncias que impedem a absorção de alguns nutrientes) e também para diminuir o teor dos carboidratos fermentáveis (rafinose, verbascose, estaquiose), conhecidos como FODMAPs, que causam flatulência em algumas pessoas.
Depois do demolho, descartamos a água, cozinhamos em uma nova água na panela de pressão, ou na panela comum por, pelo menos o triplo, do tempo. E só depois disso que temperamos ou usamos essas leguminosas em alguma preparação, como hommus, bolinhos, hambúrgueres, etc.
No mundo corrido em que vivemos, muitas pessoas vegetarianas estão deixando de comer feijão porque não têm tempo de preparar, ou porque não querem gastar o tempo que sobra para cozinhar.
A solução que encontram é: pedir comida pronta por aplicativo, ou comprar “a mistura” congelada que em 10 minutos fica pronta na airfryer: o famoso hambúrguer com textura e aroma de carne – repleto de gordura de palma, sódio, aromatizantes, corantes.
O caminho do meio
É por isso que eu preciso te contar que entre o cozinhar do zero e o hambúrguer ultraprocessado existe um caminho do meio: você encontra excelentes opções no mercado de leguminosas já pré-cozidas ou prontas para o consumo, práticas, nutritivas, e relativamente acessíveis, do ponto de vista de preço.



Industrializado sim, ultraprocessado não
Mas nutri, industrializado não faz mal?
Esses alimentos são industrializados sim, porque passaram por processos na indústria, mas a maioria deles são processamentos físicos, como a retirada de peles, o processo de demolho, o cozimento, o acondicionamento nas embalagens. Esses são considerados minimamente processados.
Quando eles recebem aditivos para conservar, como sal e vinagre (ácido acético) ou algum conservante sintético, são classificados como processados apenas – e não ultraprocessados. Isso porque não houve mudança na formulação para criar um produto novo, esses aditivos foram usados apenas para preservar a qualidade dos grãos integrais e evitar contaminação por bactérias e fungos.
Como escolher melhor:
Sempre olhe a lista de ingredientes e prefira os produtos que tenham menos aditivos.
Caso a única opção disponível venha em salmoura ou tenha conservantes sintéticos, drene os líquidos, lave bem em água potável e está pronto para ir pro seu prato.
E é muito importante conferir a integridade da embalagem. Latas, tetrapak e embalagens à vácuo são excelentes para conservar os produtos sem utilizar aditivos, porém, se a embalagem estiver danificada, pode haver um risco de contaminação por microorganismos.
E o que fazer com esses feijões prontos?
Tendo os feijões já cozidos é muito mais rápido só refogar um tempero rapidinho, ou mesmo temperar com ervas e especiarias desidratadas como páprica, cúrcuma, louro em pó, cominho.
Para as versões pré-cozidas congeladas, é necessário aquecer cerca de 5 minutos em água na panela ou no microondas, e depois temperar normalmente.
E ambas as opções também podem servir como ingrediente de outras receitas, como hommus, sopas, vinagretes, almôndegas, hambúrgueres, quibes. Nesse caso vai demandar um pouco mais de tempo na cozinha, mas com certeza utilizar essas opções prontas podem encurtar o processo e facilitar a rotina.
Um abraço, e seguimos!
Natália Utikava
Nutricionista
CRN/SP 40.387